Editorial

Parte I
Eis-nos finalmente chegados, com renovada satisfação, ao segundo número do BBdE-Zine. As expectativas, sabemo-lo bem, são elevadas. Esperamos não vir a defraudá-las.
À reduzida equipa que preparou a primeira edição, juntou-se um grupo de notáveis individualidades - colaboradores habituais do BBdE - e dai nasceu um projecto necessariamente mais vasto, com um maior grau de complexidade, mas também com uma toolbox de sugestões e soluções mais imaginativa. Os princípios e objectivos do trabalho mantiveram-se firmes, contudo: a intenção de apresentar alguns dos mais significativos trabalhos que foram surgindo ao longo do tempo no BBdE, fruto da mente criativa e talentosa de uma variedade alargada de utilizadores. Foram escolhidos textos em prosa e poesia publicados no BBdE até ao final do ano de 2005, com particular incidência no seu segundo trimestre.
Na tradição do nosso primeiro E-zine, juntámos ilustrações a alguns textos, desta feita sob o formato de fotografias – sentimentos, gestos e memórias que pararam no tempo, e que aqui encontram voz num suporte artístico diferente.
Tivemos a felicidade de poder contar com entrevistas a dois escritores de língua portuguesa contemporâneos. Quem são eles? Surpresa… Surpresa…
Esta edição apresenta melhorias significativas a nível de layout na versão PDF (que poderão descarregar num link anexo), pretendendo assim colmatar uma série de aspectos menos positivos apontados pelos leitores ao primeiro número. O processo de mudança foi moroso a algo atribulado, mas, queremos julgar, o resultado é compensador.
Parte II
Foi-me pedido que fizesse uma resenha do que o ano de 2005 significou na vida do BBdE. Aceitei a tarefa de bom grado, o que só pode augurar que não devo estar bom da cabeça; quando comecei a coligir os dados cheguei à conclusão que tinha uma tarefa gargantuesca (finalmente uma chance de usar este palavrão!) pela frente. Mas como não tinha hipótese de retroceder com a palavra dada, até porque o Samwise decerto guardara a PM em que eu, num momento de loucura, me oferecera, pensando em usá-la como chantagem em caso de futura desistência, nada mais me restava senão arregaçar as mangas e ir em frente qual boi enfurecido por um capote de toureiro. Sim, boi, porque uma tarefa destas necessita dum boi à altura, que pegue nas coisas pelos cornos. E sim, também sei que estou misturando as metáforas todas, mas tenham dó dum simples coitado que se vê a braços com uma empresa maior do que ele próprio. É caso para dizer: tem mais olhos que barriga. Chega de dichotes populares e coisas do género. Não vale a pena prorrogar a tarefa - por algum lado temos de começar. E, como sou vaidoso, começo precisamente pelos passatempos.
Sim, leram bem! O BBdE já teve passatempos. Três para ser mais exacto, embora apenas os dois últimos puxassem pela criatividade dos membros (refiro-me aos membros utilizadores e não aqueles que temos pendurados do corpo). Ali em cima disse que era vaidoso. Porquê? Ora, porque a ideia e a organização dos passatempos (já para não dizer os prémios a escolha do júri e outros pormenores) foi toda deste vosso humilde servo que agora alinhava estas linhas.
O primeiro concurso visava o tema Dragões e teve anúncio oficial no dia 4 de Maio. O segundo concurso foi dedicado ao tema Memórias e teve arranque no dia 11 de Junho. Entre um e outro as diferenças foram talvez o nível de participações, que decresceram, mantendo no entanto a qualidade média, e o número de prémios que passou de quatro para dois. No entanto, foi uma agradável surpresa perceber que no seio da comunidade se albergavam verdadeiros talentos literários, utilizadores que se destacaram quer num quer noutro desafio: Samwise, Cerridwen, Blueiela, Pedro Farinha, anavicenteferreira e Bubbles. Merecidamente levaram para casa (ou entregaram-lhes à porta, isso agora depende da rotina de distribuição dos correios da zona de cada um) um livro pelos esforços criativos que partilharam a uma comunidade sedenta de escrita de qualidade. Mas vou cortar nos adjectivos superlativos relativamente a estes jovens escribas, até porque o facto de estar, no preciso momento em que escrevo estas linhas, a ouvir a parte mais «épica» da banda sonora de John Williams para o sexto episódio da saga Star Wars pode de certa maneira afectar o meu raciocínio duma forma que ainda dê a entender que estamos perante as opus magnum deles. Quero pensar que não! Até porque são jovens (ok, tirando o Pedro Farinha que já tem idade para ter juízo, mas ainda assim) e portanto todas as oportunidades estão em aberto para um futuro que eu e decerto muitos outros gostariam radioso e coberto de bestsellers! Força nessas canetas, teclas ou seja lá o que for que usam para compor tão interessantes pedaços de literatura. Quero que sejam um exemplo para outros e que sigam o caminho da Blueiela que, pela altura em que escrevo isto, tem já um livro publicado (um outro vencedor tem também um livro publicado mas, não sei porquê, tive de assinar um contrato de non-disclosure e portanto não vou aqui revelar o nome dele, mas presumo que um bom detective conseguirá chegar à sua discreta identidade) e não sei se não terá mais outro em carteira, tal a força e intensidade com que nos presenteia com a poesia carnal/visceral quase a um ritmo alucinante.
O ano de 2005 foi também o ano das experiências novas no fórum. Uma abortou espontaneamente por falta de interesse, ou então porque os administradores são tão visionários que estavam uma década à frente dos desejos dos utilizadores. Refiro-me claro ao Portal que mal chegou a erguer-se da lama para logo ser espezinhado de volta ao limbo de bits de onde emergiu. Sugiro por isso um momento de silêncio em honra do defunto….
E de volta às hostilidades, a outra experiência parece estar a ter maior aceitação, tanta até que estas linhas que você agora lê estão precisamente inscritas nela. O E-zine arrancou oficialmente no dia 30 de Setembro integrado num visual distinto do fórum e contendo uma entrevista à poetisa Daniela Pereira (Blueiela), ilustrações de Ricardo Rodrigues e prosa e poesia dos utilizadores do fórum. Como todos os recém-nascidos, vinha coberto de sangue e placenta e portanto não muito agradável de se ver, mas com uma lavagem e muito amor dos pais e mães (sim, porque o nosso E-zine é como os Deuses gregos e não se contenta com uma família mononuclear) fomos aprumando o dito cujo; e como o BBdE é parecido com o Chuck Norris (capaz de contar até ao infinito… duas vezes) não nos contentamos com um só editorial; tivemos de ir um passo mais além até onde o Homem nunca foi… ooops desculpem lá isto é de outro show, enfim, dizia eu, fomos mais além e em vez de apenas um editorial temos antes dois editoriais para sua máxima satisfação, caro(a) leitor(a).
O fórum foi remodelado a nível visual e integrado com novas funcionalidades, como por exemplo a shoutbox, que serve para deitar fora aquele vapor tipo o das panelas de pressão e onde as mais estranhas sequências de frases têm lugar; uma secção de links, que suspeito é muito pouco usada, mas que Diabo, está lá e podem visitá-la e isso é que é importante, ou não; e outra de blogues, que arrancaram oficialmente a 28 de Novembro, tiveram morte prematura, talvez por eu ter sido o único a aderir, como de costume e sempre na vanguarda, e mais tarde, qual Lázaro dos fóruns foi ressuscitada pelo nosso digníssimo administrador de sistemas, Monsieur Gokuu e a partir deste renascimento já foi mais solicitada esta área.
Entretanto a vida prossegue, as ideias voam a torto e a direito e o futuro quem o sabe? Podem apenas contar que o BBdE está para ficar e quem sabe se daqui a uns tempos não teremos algumas novidades de monta para todos vocês. E porque os fóruns não se fazem sem utilizadores, a todos os que participam e até aos que apenas nos visitam: um muito obrigado em nome de toda a equipa e contamos com vocês para crescer ainda mais ao longo de 2006 e 2007 e…
A Equipa BBdE
P.S.: Qualquer inexactidão, falha ou omissão neste texto é da completa responsabilidade de Thanatos. Tudo o mais em que o texto mereça aplauso será concerteza responsabilidade da equipa, porque aqui somos democratas! Ou talvez não! E para o próximo E-zine contamos consigo, caro leitor, você que é a razão de aqui estarmos. Um bem haja!
